21/Fev 2012 (6º EF) GEO: Os recursos minerais (Torne sua vida mais sustentável)

Queridos alunos,

encontrei este artigo interessante do portal www.aprendebrasil.com.br sobre os assuntos que estamos estudando nas aulas, e gostaria que vocês o lessem, para complementação do aprendizado! (para ler o artigo original, clique aqui)

Torne sua vida mais sustentável.

Publicado em: 20/05/2008 – por César Munhoz

Recursos minerais existem para serem consumidos, disso ninguém discorda. Afinal, quem viveria sem metais e plástico, por exemplo? O problema é que vivemos em uma sociedade (estamos falando do mundo inteiro) que alicerçou seu desenvolvimento na exploração destes recursos. E agora que eles mostram sinais de esgotamento, como fica o nosso futuro? Para falar sobre esta preocupação, o portal convidou o presidente da comissão organizadora do 44o Congresso Brasileiro de Geologia, Eduardo Salamuni.

Em que podemos perceber o valor dos recursos minerais e do solo em nosso dia-a-dia?

Em praticamente tudo que o ser humano usa na vida cotidiana. Diariamente ele está utilizando recursos minerais. Os exemplos mais clássicos são o combustível e o plástico, entre outros. Mas, para você ter uma idéia de como somos dependentes dos recursos minerais, saiba que até quando usamos papel estamos em contato com recursos minerais. Papel é celulose, mas seu branqueamento é feito com recursos minerais.

Somos, hoje, uma sociedade dependente de equipamentos eletrônicos, e todos eles, sem exceção, são completamente dependentes de recursos minerais, desde a bateria até componentes como chip e carcaça. Absolutamente tudo! E na alimentação? A maioria dos alimentos vegetais dependem, na sua base, de algum recurso mineral, seja no fertilizante aplicado, seja nos compostos minerais dados a alguns animais. Como se não bastasse, há o prato, o talher e a mesa em que comemos.

Se por um lado somos dependentes dos recursos minerais e do solo, sabemos que é preciso reduzir seu consumo. Quais são as atividades econômicas que mais contribuem para o esgotamento desses meios?
O que mais preocupa efetivamente é a questão da energia. O esgotamento dos recursos minerais energéticos é muito preocupante, pois o mundo depende do petróleo. Atualmente, a maior preocupação da economia é com o custo desse óleo natural, suas reservas e a descoberta de novas reservas. Encontrar novas jazidas apenas prorroga a crise profunda pela qual a sociedade humana passará em breve, que é a mudança da matriz energética do petróleo para outra, como a dos biocombustíveis. Também preocupa a escassez de alguns recursos metálicos, como o tungstênio e outros metais nobres que são altamente limitados e dos quais não houve grandes descobertas ultimamente.

Como o Brasil está lidando com esse problema? Existe algum país que seja modelo nesse sentido?

Na verdade, cada país trabalha essa questão de acordo com sua própria cultura interna, conforme sua sociedade está estruturada. Então, fica difícil fazer uma crítica, uma comparação. Claro que existe o consenso de que há sociedades, como a dos Estados Unidos e do Japão, voltadas classicamente ao consumo exagerado. A sociedade brasileira ainda está em gestação como organização moderna. Entendo que melhoramos muito de dez anos para cá — em função de algumas medidas governamentais — nessa questão de como os recursos minerais devem ser utilizados. Esse avanço ocorreu quando o governo demonstrou boa vontade em relação à preservação de empresas estatais, como a Petrobras. Isso não aconteceu no governo FHC, mas acontece no do Lula. E eu não estou fazendo uma análise ideológica de cada um, é só uma contestação do que realmente aconteceu — até porque as ideologias são diferentes mesmo. Como existe essa boa vontade, isso faz com que os atuais dirigentes da Petrobras, por exemplo, tenham maior autonomia para fazer descobertas, achando que efetivamente estão prestando um serviço à nação, sem ter uma preocupação com a degola da empresa. A Petrobras sofreu uma reestruturação, pois enfrentou um problema muito sério há 10 anos, e isso trouxe um ganho muito interessante para a sociedade.

Do ponto de vista do consumo, existe uma relação delicada entre essa preocupação ambiental e a economia. Aumentar o consumo ou freá-lo? Hoje, esse debate está muito aprofundado no Brasil, e essa opção ou não pelo desenvolvimentismo impacta diretamente a utilização dos recursos naturais. Agora, algo que se pode criticar, do ponto de vista da questão socioeconômica mundial, é que os analistas econômicos têm uma tendência a falar muito sectariamente ou de uma perspectiva unilateral sobre o crescimento de um país. Esquece-se que, do outro lado, cada ponto percentual de crescimento de um país corresponde a milhões de toneladas de matéria-prima que são extraídas. Na verdade, como é que se pode exigir que o Brasil cresça como a China sem levar em conta questões ambientais? A sociedade precisa autorizar ou não um aumento da extração dos recursos naturais. Na semana passada, vimos essa briga de forma muito clara, que foi o pedido de demissão da ministra Marina Silva. Esse acontecimento mostrou que o País está escolhendo o modelo desenvolvimentista.

Como o solo é distribuído juridicamente no Brasil atualmente?
Hoje, o Brasil tem uma das legislações sobre recursos minerais mais modernas do mundo. Na América do Sul, ela supera a de qualquer país. A Argentina, por exemplo, está na primitividade nesse sentido. Bem, para começar, é preciso ficar claro que existe a superfície e a subsuperfície do solo. Um fazendeiro, por mais que tenha milhares de hectares, não é dono da subsuperfície dessa área. Ele é dono apenas da superfície, ou seja, ele não é dono do que há “debaixo da terra que cultiva”, nem sequer da água que há nela.

Onde termina a superfície e começa a subsuperfície de uma área?
Essa é a grande briga. Entende-se que o solo não é mais do proprietário a partir do momento em que ele não é mais agricultável. Claro que é possível cavar profundamente determinada área para se fazer a fundação de um edifício, ou algo assim, e se houver algum minério ali, ele só poderá ser explorado pela União. É ela que decide o que fazer com aquilo; dá a concessão para alguém interessado em explorá-la. E isso não depende da vontade do superficiário. Ele não pode impedir, mas é compensado por isso. Bom, resumidamente, nossa legislação é muito avançada.

E é cumprida?
Olha… as empresas organizadas cumprem sem problemas, até porque são extremamente fiscalizadas, inclusive em questões ambientais. Mas existem lavras predatórias, normalmente pequenas, que são um horror. E elas existem lado a lado.

E os biocombustíveis? Até que ponto são mesmo uma alternativa para os combustíveis minerais?
Podem ser uma alternativa. Já estão entrando na matriz energética. Adicionam-se 2 ou 3% desse biocombustível no combustível fóssil. Ou seja, já não é mais 100% de combustível fóssil, e isso em larga escala faz muita diferença. Agora, é preciso ver se realmente será uma alternativa qualitativa para a diminuição do impacto ambiental do uso do combustível. Não se sabe ainda. Há quem diga que o processo todo de produção desse óleo envolva um aumento na emissão de CO2. É difícil ter uma posição absoluta sobre isso. Quem opina quase sempre o faz de acordo com uma ideologia. Eu tenho muitas restrições quando aparece uma “pesquisadora americana” dizendo esse tipo de coisa. É para se desconfiar.

O que cada um pode fazer para contribuir com a redução do consumo desses recursos?
Observe o seu consumo pessoal. Por que é necessário trocar de celular todo ano? Por que comprar um equipamento que dura três anos ou mais e trocá-lo por outro em pouco tempo? Só porque o outro é mais bonito? Por que comprar tanta roupa? O fato é que precisamos diminuir um pouco nosso consumo de água, de equipamentos eletrônicos, de todas essas coisas, para que possamos falar em sustentabilidade. Torne sua vida um pouco mais sustentável.

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