15/Mar 2014 – GEO: Brasil avança pouco em índice de IDH; governo contesta dados

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Os ministro Aloizio Mercadante, da Educação, e Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, disseram que os dados considerados pelo Pnud estão desatualizados e prejudicaram o país

O Brasil manteve o 85º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme relatório apresentado nesta quinta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). De acordo com o levantamento, que leva em conta os dados do ano de 2012, o país alcançou índice de 0,730 – em uma escala que vai de 0 a 1 -, permanecendo entre o grupo de considerado de Desenvolvimento Humanos Alto. Apesar da estagnação refletida no ranking, integrantes do PNUD capricharam nos elogios feitos ao desempenho do País nas últimas décadas. “O País mudou o padrão histórico em muito pouco tempo e é reconhecido por isso”, afirmou o coordenador residente do sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek. Se considerados os dados desde 1990, o Brasil apresentou crescimento de 24%, ficando entre os 15 países que mais conseguiram reduzir o déficit no índice.

Contudo, insatisfeito com o resultado do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o governo apressou-se para contestar os dados e questionar o levantamento.”Alguns países podem não ter dados atualizados, mas nós temos. (O Pnud) Sistematicamente, usa dados que nós não reconhecemos, dados defasados”, criticou a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. “Os dados brasileiros estão incorretos, a avaliação é injusta com o Brasil”.

O IDH é calculado com base em indicadores de renda, educação e longevidade, ou seja, saúde. Os dados revisados para 2011 atribuem ao Brasil o índice 0,728. A Noruega, primeira colocada no ranking, chegou a 0,955. O PNUD reconheceu que utiliza em seu trabalho dados menos atualizados que os do governo brasileiro – motivo de críticas oficiais no passado. Se os dados mais recentes tivessem sido utilizados, o IDH seria mais alto: 0,754.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, também criticou o levantamento: “Se distribuímos renda, se reduzimos a população em extrema pobreza, se temos uma grande mobilidade social, por que o indicador do IDH não reflete tudo que fizemos?”. O Brasil manteve o 85.º lugar na lista do Índice de Desenvolvimento. A média obtida foi de 0,730 de uma escala que vai de 0 a 1. Com essa nota, o País permanece no grupo de “desenvolvimento humano alto”.

Para os autores do relatório, o que explica a performance superior de alguns países nas últimas duas décadas são fatores como “Estado desenvolvimentista proativo, aproveitamento dos mercados mundiais e inovações em políticas sociais”.

Educação e saúde

O desempenho na área social foi o principal impulsionador dos avanços do Brasil: o País teve melhoras mais significativas na educação e na saúde que na renda média de sua população.

De 1990 a 2012, entre os 15 países que mais reduziram seu “déficit de IDH” (distância em relação à pontuação máxima), estão Brasil, Argélia e México, “apesar de sua renda per capita ter crescido, em média, apenas entre 1% e 2% ao ano”.
O desempenho econômico não tão forte desses países foi compensado, de acordo com o relatório, pela “primazia nos investimentos estatais (…) em saúde, educação e nutrição”.

No caso da educação no Brasil, os pesquisadores detectaram uma melhora “espetacular”. Citaram o fato de o País ter apresentado, entre 2000 e 2009, o terceiro maior “salto” de pontuação em matemática nos testes do Pisa, programa internacional de avaliação do desempenho de estudantes. Como deflagrador desse avanço, o relatório cita a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em 1996, que estabeleceu um piso nacional de gastos por aluno e ampliou os investimentos em ensino nas regiões mais pobres do País.
O Brasil também ganhou elogios por ter reduzido a desigualdade entre seus cidadãos, graças “à criação de um programa de redução da pobreza, à extensão da educação e ao aumento do salário mínimo”.

O relatório destaca o fato de o Bolsa Família – “versão otimizada do Bolsa Escola”, programa criado em 2001 – ter alcançado mais de 97% de sua população-alvo em 2009. Como resultado, além da redução da pobreza, observou-se um fenômeno de “empoderamento das mulheres”, já que elas têm prioridade no recebimento dos cartões magnéticos para a retirada do benefício.

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